A produção de grãos de Goiás deverá alcançar 33,12 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma redução de 11,4% em comparação com as 37,36 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.
Os dados fazem parte do 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quinta-feira (13) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A retração chama atenção porque ocorreu mesmo com a ampliação da área cultivada no estado.
Goiás passou de 7,59 milhões para 7,97 milhões de hectares plantados, crescimento de 5%. Em números absolutos, foram incorporados aproximadamente 378,4 mil hectares à produção.
Ainda assim, a expansão territorial não foi suficiente para compensar a redução do rendimento médio das lavouras.
Análise do Agronegócio Notícias: Goiás produzirá 4,24 milhões de toneladas a menos
A partir dos números publicados pela Conab, o Agronegócio Notícias calculou que a diferença entre as duas safras chega a 4,24 milhões de toneladas:
| Indicador | Safra 2024/25 | Safra 2025/26 | Diferença | Variação |
|---|---|---|---|---|
| Área cultivada | 7,593 milhões de hectares | 7,971 milhões de hectares | +378,4 mil hectares | +5% |
| Produtividade média | 4.921 kg/ha | 4.155 kg/ha | -766 kg/ha | -15,6% |
| Produção | 37,363 milhões de toneladas | 33,122 milhões de toneladas | -4,241 milhões de toneladas | -11,4% |
O contraste central está na produtividade.
Em média, cada hectare cultivado em Goiás deverá produzir 766 quilos a menos do que na safra passada. Essa redução anulou o efeito positivo provocado pelo aumento da área plantada.
Portanto, a principal conclusão não é apenas que Goiás produzirá menos. O levantamento mostra que o estado utilizou uma área maior, mas obteve um rendimento médio significativamente inferior.
Por que Goiás plantou mais e deverá colher menos?
A produção agrícola resulta principalmente da relação entre área cultivada e produtividade.
Quando a expansão da área é acompanhada por manutenção ou crescimento do rendimento por hectare, a tendência é de aumento da produção. Em Goiás, ocorreu o movimento contrário: a área cresceu 5%, enquanto a produtividade média caiu 15,6%.
O resultado foi uma redução de 11,4% no volume total estimado.
O levantamento consolidado reúne culturas selecionadas como soja, milho, sorgo, feijão, arroz, algodão, girassol, trigo e outros grãos. Por isso, a queda estadual não deve ser atribuída automaticamente a uma única lavoura.
Entretanto, as análises específicas da Conab ajudam a compreender parte importante do cenário.
Clima atingiu fases decisivas do milho safrinha
Ao analisar o milho de segunda safra em Goiás, a Conab aponta que as condições climáticas foram desfavoráveis principalmente durante a floração e o enchimento dos grãos.
As lavouras semeadas dentro da janela recomendada apresentaram resultados melhores. Já parte das áreas plantadas mais tarde enfrentou falta de chuva durante períodos críticos do desenvolvimento.
Segundo a Companhia, o atraso no ciclo da soja também comprometeu a janela ideal do milho. Algumas lavouras foram implantadas quando as chuvas já diminuíam gradativamente, reduzindo o potencial produtivo.
A restrição hídrica provocou diferenças expressivas entre propriedades e até mesmo entre municípios próximos.
Enquanto determinadas áreas produziram grãos maiores e mais pesados, outras apresentaram espigas menores, falhas e redução do peso específico.
Sorgo demonstrou resistência, mas também sofreu com a falta de chuva
O sorgo, conhecido por apresentar maior tolerância ao déficit hídrico, também registrou resultados abaixo do esperado em Goiás.
A produtividade média parcial da cultura foi estimada em 3.065 quilos por hectare, ante 3.121 quilos por hectare no levantamento anterior.
A Conab atribui a revisão à escassez de chuva durante o período crítico do ciclo. Apesar da rusticidade da cultura, foram identificados lotes heterogêneos, com grãos leves e subdesenvolvidos.
No Sul e no Sudoeste goiano, chuvas tardias ocorridas em junho favoreceram algumas lavouras. O efeito, porém, não foi suficiente para eliminar as perdas observadas em outras regiões.
Esses resultados mostram que maior resistência climática não significa ausência de impacto diante de uma restrição hídrica prolongada.
Goiás segue caminho contrário ao resultado nacional
Enquanto a produção goiana deverá cair 11,4%, a safra brasileira apresenta crescimento.
A Conab estima que o Brasil produzirá 360,75 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, alta de 2,4% em relação às 352,27 milhões de toneladas da temporada anterior.
A área cultivada no país cresceu 2,1%, enquanto a produtividade média nacional avançou 0,3%.
A comparação evidencia comportamentos diferentes:
| Localidade | Produção 2024/25 | Produção 2025/26 | Variação |
| Brasil | 352,27 milhões de toneladas | 360,75 milhões de toneladas | +2,4% |
| Goiás | 37,36 milhões de toneladas | 33,12 milhões de toneladas | -11,4% |
Enquanto a produtividade brasileira permaneceu praticamente estável, Goiás registrou queda de 15,6%.
Goiás foi o único do Centro-Oeste com queda na produção
O levantamento também mostra uma diferença relevante dentro do Centro-Oeste.
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal apresentaram aumento na produção. Goiás foi a única unidade da região com resultado negativo.
| Unidade da Federação | Produção 2024/25 | Produção 2025/26 | Variação |
| Mato Grosso | 112,40 milhões de toneladas | 114,96 milhões de toneladas | +2,3% |
| Mato Grosso do Sul | 28,60 milhões de toneladas | 30,32 milhões de toneladas | +6% |
| Goiás | 37,36 milhões de toneladas | 33,12 milhões de toneladas | -11,4% |
| Distrito Federal | 931,5 mil toneladas | 943,4 mil toneladas | +1,3% |
A expansão registrada pelos demais integrantes praticamente compensou a retração goiana. Com isso, a produção total do Centro-Oeste permaneceu próxima da estabilidade, passando de 179,29 milhões para 179,35 milhões de toneladas.
Participação de Goiás na safra brasileira cai para 9,2%
O Agronegócio Notícias também calculou a participação de Goiás na produção nacional.
Na safra 2024/25, o estado respondeu por aproximadamente 10,6% dos grãos produzidos no Brasil.
Na estimativa para 2025/26, essa participação recua para cerca de 9,2%.
A diferença representa uma perda aproximada de 1,4 ponto percentual na participação goiana em apenas um ciclo.
Mesmo com a redução, Goiás permanece entre os quatro maiores produtores estaduais de grãos do país, atrás de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, conforme a estimativa da Conab para os produtos selecionados.
Colheita e armazenagem também enfrentam desafios
No Sudoeste goiano, a colheita do milho segunda safra estava atrasada em relação ao calendário habitual no fim de julho.
Temperaturas mais amenas e chuvas localizadas elevaram a umidade dos grãos. Diante do risco de descontos na comercialização, parte dos produtores optou por aguardar melhores condições para realizar a colheita.
A Conab estimou que aproximadamente 40% da área de milho havia sido colhida até o encerramento de julho.
O levantamento também registrou que alguns armazéns do Sudoeste já haviam atingido a capacidade máxima de recebimento. Nesse contexto, os silos-bolsa passaram a ser utilizados como alternativa temporária para armazenar a produção.
A situação mostra que o desafio da safra não termina no campo. Um período de colheita mais concentrado, somado à diversificação das culturas de segunda safra, também pressiona a estrutura regional de armazenagem.
Redução da produção não significa automaticamente aumento de preços
A queda da safra goiana não permite concluir, isoladamente, que os preços dos grãos aumentarão.
As cotações também são influenciadas pela produção nacional, oferta mundial, demanda interna, exportações, câmbio, estoques, custos logísticos e comportamento das diferentes culturas.
Como o Brasil deverá alcançar uma safra recorde, o aumento da oferta em outros estados pode compensar parte da redução registrada em Goiás.
Os efeitos econômicos também podem variar entre produtores, municípios e cadeias produtivas.
Os 4,24 milhões de toneladas não representam prejuízo financeiro calculado
A redução de 4,24 milhões de toneladas representa uma diferença física entre a produção estimada para 2025/26 e o volume registrado na safra anterior.
O número não deve ser apresentado como perda financeira.
Para calcular eventual redução de receita seria necessário considerar, separadamente, a participação de cada cultura, os preços recebidos pelos produtores, os custos de produção, a qualidade dos grãos e o momento da comercialização.
Também não é correto afirmar que todos os produtores goianos perderam 11,4%. O percentual corresponde ao resultado agregado do estado e pode esconder diferenças importantes entre propriedades, culturas e regiões.
Estimativa ainda pode ser revisada
Os dados fazem parte do 11º levantamento da safra 2025/26 e representam uma estimativa publicada em agosto de 2026.
A Conab acompanha mensalmente a evolução das lavouras e pode revisar os números conforme a colheita avança e novas informações de campo são incorporadas.
O resultado definitivo poderá apresentar ajustes. Entretanto, a diferença já identificada revela a dimensão do impacto provocado pela queda da produtividade média em Goiás.
O que os dados da safra revelam sobre Goiás?
O principal sinal do levantamento é que ampliar a área plantada não garante, sozinho, crescimento da produção.
Na safra 2025/26, Goiás incorporou 378,4 mil hectares, mas deverá colher 4,24 milhões de toneladas a menos.
A combinação de plantio fora da janela ideal, restrição hídrica em fases críticas, redução da produtividade e diferenças regionais transformou uma expansão de área em queda de produção.
Para o Agronegócio Notícias, o resultado reforça a necessidade de acompanhar não apenas quantos hectares são plantados, mas também o rendimento das lavouras, as condições climáticas, a capacidade de armazenagem e o retorno econômico obtido pelo produtor.
Perguntas e respostas
Qual é a produção estimada de grãos de Goiás em 2025/26?
A Conab estima uma produção de 33,12 milhões de toneladas.
Quanto Goiás produziu na safra anterior?
Na safra 2024/25, a produção foi estimada em 37,36 milhões de toneladas.
Qual é a diferença entre as duas safras?
A análise do Agronegócio Notícias identificou redução de aproximadamente 4,24 milhões de toneladas.
A área plantada diminuiu?
Não. A área aumentou 5%, passando de 7,59 milhões para 7,97 milhões de hectares.
Por que a produção caiu?
Porque a produtividade média recuou 15,6%, uma redução mais intensa que o crescimento da área cultivada. Condições climáticas desfavoráveis e plantio fora da janela ideal atingiram especialmente culturas de segunda safra, como milho e sorgo.
Goiás perdeu R$ 4,24 milhões?
Não. O número se refere a 4,24 milhões de toneladas, e não a reais. O levantamento não calcula, nesse dado, a eventual perda financeira.
Os números são definitivos?
Ainda não. São estimativas do 11º levantamento da Conab e podem ser revisadas.
Metodologia
A reportagem utilizou a Tabela 2 do 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, publicado pela Conab em 13 de agosto de 2026.
A diferença absoluta da produção foi calculada pela redação:
37,3631 milhões de toneladas − 33,1219 milhões de toneladas = 4,2412 milhões de toneladas.
As participações de Goiás na safra nacional também foram calculadas pelo Agronegócio Notícias a partir dos valores estaduais e nacionais divulgados pela Companhia. Os resultados foram arredondados para facilitar a leitura.
Fonte primária: 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Conab
Por: Redação Agronegócio Notícias



